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Riscos e Incertezas: como minimizá-los em cenários de crise

A revisão de diretrizes de atuação no mercado e o apoio de equipes competentes trazem resiliência empresarial até que se alcance o período de bonança.

Os holofotes oriundos do Palácio do Planalto cerceiam as expectativas em torno das mudanças do cenário político-econômico brasileiro no primeiro semestre de 2017. As votações em andamento no Congresso Nacional tratam dois temas capitais para o empresário brasileiro. A Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista, afetando a dinâmica trabalhista entre empregadores e empregadores.

Independente dessas possíveis mudanças e apesar do alarde que vive o cenário político nacional, a economia, finalmente, dá sinais de recuperação: após 24 meses de queda seguidas, o comércio voltou a crescer. Em abril deste ano, o setor voltou a crescer 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A liberação das contas do FGTS e a queda na inflação, além da Páscoa explicam essa leve recuperação.

Afora das variantes e das incertezas que não estão sob tutela do empresariado como os fatores econômicos governamentais, a prevenção e o planejamento em períodos de escassez de crédito e de retração econômica podem fortalecer empresas a médio e longo prazo, desde que previstos e pensados por seus gestores: com o fechamento de concorrentes que não se preparam para essa fase árdua, seu negócio possivelmente terá mais oportunidades e estará mais propenso ao crescimento. Confira a seguir dicas fundamentais para minimizar os riscos e incertezas da crise:

ORGANIZE SUA SITUAÇÃO FINANCEIRA

 

Pode parecer óbvio, mas nem todos os empresários levam na ponta do lápis suas receitas e despesas. A mensuração do que realmente é necessário e supérfluo vai determinar onde serão ou não precisos cortes de custos na sua empresa. Em muitos casos, a terceirização de serviços traz melhores resultados com menores custos em demandas pontuais no cotidiano, eximindo custos com CLT e alinhamento de diretrizes com o setor da função.

Ao direcionar a um terceiro a tarefa, você poderá analisar se de fato está sendo rentável o serviço prestado pelo parceiro; na incidência de não compensar, você pode migrar para outro prestador que preencha suas demandas. Muitas empresas, diante do cenário de escassez de clientes, oferecem períodos de teste visando provar sua efetividade e resultados aos seus consumidores. Porém, terceirizar não é regra. Levante as estatísticas dos custos e avalie quais retornos cada setor traz ao seu empreendimento.

Tenha obsessão por custos. O maior equívoco para um negócio independente da sua área é não prever ou não estar resiliente frente às intempéries econômicas que oscilam o mercado. Um caixa fortalecido lhe dá margem para manter um cronograma de planejamento ao longo do tempo. Serviços de consultoria podem profissionalizar esse processo de preparação e prevenção.

CAPITAL HUMANO

Idealizar e propor soluções. Parece clichê, mas não é. Cultura enraizada majoritariamente em multinacionais e empresas de grande porte, o investimento em capital humano ainda é um paradigma para corporações de pequeno e médio porte. Programas de treinamentos contínuos promulgam uma cultura inovadora no ambiente empresarial. Além de estimular a progressão de carreiras dentro do seu próprio negócio, a qualificação de sua equipe pode trazer “soluções caseiras” a cargos que anteriormente demandavam mão de obra de profissionais de fora do seu grupo.

O convênio com institutos profissionalizantes, escolas de idiomas e universidades são oportunidades para estimular o amadurecimento profissional de colaboradores. No geral, esses programas estabelecem deveres aos contemplados relativos a médias de notas a assiduidade de presença, em que o investimento é repartido entre empresário e beneficiário.

ACOMPANHE OSCILAÇÕES DE TAXAS DE JUROS, CÂMBIO E INFLAÇÃO

Ao imergir nas variantes que determinam as oscilações de custos dentro do mercado, o empreendedor nada mais faz do que entender as peças de um tabuleiro de xadrez. O mercado financeiro é promissor aos atentos, bem informados e que interagem com ele. Com a diminuição da taxa Selic, que é a chamada taxa básica de juros, que atualmente está em 10,25%, o Brasil dá sinais de recuperação, mesmo que a lentos passos. A Selic é referência para aplicações e empréstimos. Na incidência de estar em alta, essa taxa desestimula a economia: freia a recuperação do comércio, elevando o grau de preocupação com empregos, desestimulando, por consequência, o consumo como um todo.

Caso esses fatores impactem negativamente seu negócio, elabore um plano de ação para que aumentos em seus produtos e serviços sejam justificados para seus clientes. A falha recorrente de muitos empreendedores é diminuir sua margem de lucro, que em alguns casos já é pequena; com o intuito de não elevar seus preços acabam comprometendo os rendimentos do seu caixa, sendo a alternativa derradeira. Tenha suas estatísticas e números devidamente planilhados. Acompanhe a economia como um todo. Desta forma, sua empresa estará mais estruturada para não ter perdas em uma economia em constante transformação e recuperação.

INOVE: BUSQUE ALTERNATIVAS

Diante do declínio do mercado automobilístico no Brasil em 2015, um dos setores mais afetados pela crise no país, a fabricante de autopeças Brose se reinventou: atenta ao mercado, enxergou no mercado das SUVs uma oportunidade para crescer. Atenta ao potencial desses veículos de grande porte, investiu no setor e direcionou 8% de suas receitas em pesquisas e desenvolvimento de soluções. Resultado: abrangendo 34% deste mercado em 2014, seu aclive percentual foi salubre; passou a ter 57% em 2015 e 65% em 2016.

Representando 20% do faturamento da empresa em 2016, as SUVs detinham 4% do total arrecado pela Brose em 2014. Produzindo sistemas de portas, assentos e outros componentes para a indústria automobilística, a multinacional alemã, com fábrica em São José dos Pinhais (PR) tem mais de 24 mil funcionários em 23 países. Seu crescimento em 2015 foi de 8% e em 2016 10%.

A lição que a Brose traz é de inovar-se. Analisar e perceber lacunas no mercado em que se atua, voltando seus investimentos e esforços em nichos que, mesmo diante de crises, têm potencial e rentabilidade de crescimento. Ao rever seu modelo de negócios e as mudanças sobre qual sua área de atuação passa, muito provavelmente novas diretrizes e ações serão revistas. Muitas vezes, é necessário somente alinhar com alguma mudança, ao invés de alterar totalmente sua forma de empreender.

 

Esse artigo ajudou você a contornar a crise? Veja também como evitar a desestabilidade financeira.

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